A solução perfeita quase nunca existe

A solução perfeita quase nunca existe

Tem uma pergunta que aparece bastante quando estamos discutindo alternativas em engenharia.

“Qual seria a melhor solução?”

Dependendo do contexto ela vem de um cliente, da operação, da equipe ou às vezes da nossa própria expectativa de encontrar uma resposta definitiva.

E eu acho curioso porque, por muito tempo, eu também procurava isso.

A ideia de que, com dados suficientes, tempo suficiente e análise suficiente, em algum momento apareceria uma alternativa tecnicamente superior às outras.

Com o tempo fui ficando um pouco menos convicto disso.

Não menosprezando decisões técnicas. Muito pelo contrário.

Foi porque comecei a perceber que, na prática, engenharia raramente é um exercício de encontrar a resposta perfeita.

Normalmente é um exercício de escolher o que faz mais sentido naquele momento.

Quando colocamos alternativas na mesa, quase nunca existe uma opção que ganha em todos os critérios. Uma entrega maior eficiência operacional, mas exige mais investimento. Outra simplifica implantação, mas aumenta dependência futura. Uma reduz risco operacional, outra reduz custo. Tem situações em que segurança praticamente encerra a discussão. Em outras, o que pesa mais é velocidade, flexibilidade ou viabilidade econômica.

E tudo isso continua sendo engenharia. Porque boa parte do trabalho está entender o problema. Isso parece meio óbvio escrito assim, mas não é tão simples quando estamos decidindo. Porque existe uma tendência de imaginar que boas decisões são aquelas que permanecem certas por muito tempo. Só que talvez essa seja uma expectativa injusta com a própria natureza do trabalho.

Projetos são feitos dentro de um cenário. Um cenário com determinada tecnologia disponível. Com determinado custo de energia. Com determinada exigência regulatória. Com determinada expectativa operacional. Com determinado nível de conhecimento. E os cenários mudam.

A sensação que eu tenho é que eles estão mudando cada vez mais rápido.

Algumas alternativas que há poucos anos pareciam muito robustas hoje já precisam ser revisitadas porque o mundo é dinâmico e variável (e que bom que é).

Acontece com tecnologia.

Acontece com operação.

Acontece com meio ambiente.

Acontece com comportamento.

Vejo que uma característica que vai ganhar muito espaço daqui pra frente é a adaptabilidade. É projetar reconhecendo que o cenário vai mudar. Projetar soluções que funcionem hoje continua sendo importante. Mas além disso, criar soluções que consigam absorver mudança sem perder completamente o sentido original.

No fim, eu tenho cada vez mais dificuldade em acreditar em solução definitiva.Porque comecei a perceber que uma boa decisão técnica é aquela que entende quais variáveis realmente importam naquele momento, sabendo que, em algum momento, essa conversa provavelmente vai precisar acontecer de novo.

Gustavo Tonon

Está gostando do conteúdo? Compartilhe

Deixe Seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *